Foto: Lucas Rodrigues (CC0) via GBIF
Araribá-amarelo
Centrolobium microchaete
- 5 a 15 m (até 30 m)Altura
- Médio portePorte
Também conhecida como: araraúva, arariba, araribá, araribá-rosa, araribá-róseo, araribá-vermelho, araruva, aribá, aririvá, carijó, gororoba, petimuju, putumuju-castanho, roxinho, iriribá, lei-nova, mutumunju, pitimuju, potomuju, purumuiú, putumuju, putumuju-amarelo, putumuju-mirim
Botânica
Pelo Sistema de Classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Fabales, dentro da família Fabaceae (Leguminosae Papilionoideae). Seu nome científico é Centrolobium microchaete (Martius ex Bentham) Lima, com os sinônimos botânicos Centrolobium minus sensu Rudd e Centrolobium robustum var. microchaete Martius ex Bentham. Quanto à origem do nome, Centrolobium combina os termos gregos kentron (esporão) e lobium (vagem), em referência ao grande lóbulo do fruto recoberto de espinhos agudos que lembram um esporão; já microchaete remete ao fruto pequeno. O nome popular araribá tem raiz tupi (araryba), formado por ara (arara) e ybá (árvore/fruto), traduzindo-se como árvore ou fruto da arara.
Árvore semicaducifólia que normalmente mede de 5 a 15 m de altura e apresenta DAP de 40 a 70 cm, mas que em fase adulta pode chegar a 30 m e 120 cm de DAP. O tronco costuma ser reto e cilíndrico, com fuste de até 12 m e pequenas sapopemas na base. A ramificação é cimosa e ascendente, formando copa ampla, arredondada e densa. A casca atinge até 15 mm de espessura: externamente é cinza-clara a parda-acinzentada, áspera, com leves fissuras na base e desprendimento de pequenas placas, exibindo lenticelas alinhadas longitudinalmente, enquanto a casca interna é amarelada. As folhas são compostas, imparipinadas e alternas, com até 60 cm de comprimento, pecíolo puberulento de 5 a 8 cm e 15 a 20 pares de folíolos cartáceos de 5 a 10 cm por 2,5 a 3,5 cm, com pontuações resiníferas. As flores têm corola amarela de 10 a 12 mm e cálice castanho-escuro-tomentoso, agrupadas em panículas terminais de até 30 cm. O fruto é uma sâmara de 5,7 a 12 cm de comprimento por 2,9 a 4 cm de largura, com ala cartáceo-coriácea e glabra, espinho estilar de 1 a 2,5 cm e núcleo seminífero basal coberto por espinhos de 0,8 a 1,5 cm, abrigando de 1 a 2 sementes reniformes inseridas no núcleo seminal.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa (0,70 a 0,85 g/cm³ a 15% de umidade, com massa específica básica de 0,66 g/cm³). O alburno é branco-amarelado e o cerne tem cor irregular, do amarelo-vivo ao castanho-avermelhado, muitas vezes com veias, manchas e reflexos alaranjados. A superfície é lisa e bastante lustrosa, de textura média e grã direita, com cheiro pouco perceptível porém agradável e gosto imperceptível; a madeira é altamente resistente ao apodrecimento. Por ter retratibilidade e resistência mecânica medianas e bom aspecto, presta-se a móveis e marcenaria de luxo, construção civil e naval, tanoaria, obras externas e hidráulicas, tábuas, tacos de assoalho, dormentes, lâminas faqueadas para painéis decorativos e peças torneadas. Fornece lenha de primeira qualidade e papel de baixa qualidade (fibras de 0,89 mm). Cascas e raízes têm uso tintorial, extraindo-se da casca um corante rosa ou carmim, e há tanino na casca e nas folhas, sendo apenas as folhas de algum interesse econômico. A árvore também tem potencial paisagístico para arborização.
Trata-se de uma espécie secundária inicial, com forte preferência por ambientes secundários: é comum em capoeirões de solos úmidos e rara no interior da mata primária. Nas planícies litorâneas do Paraná e de Santa Catarina ocorre com frequência, com indivíduos em diferentes estágios de crescimento e distribuição descontínua, formando às vezes agrupamentos densos ao longo de rios e riachos. É característica e exclusiva da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), nas formações Terras Baixas e Submontana e na Floresta de Tabuleiro do norte do Espírito Santo, alcançando encraves nas serras úmidas a subúmidas do Ceará, a restinga das regiões Sul e Sudeste e o domínio da Caatinga em Minas Gerais. As populações do Sudeste e do Sul ocupam matas de encosta da Serra do Mar, sobretudo em áreas úmidas de baixa altitude, avançando ocasionalmente para o interior de Minas Gerais em regiões mais altas e próximas a córregos. Populações disjuntas foram localizadas nas partes altas das serras da Meruoca e da Ibiapaba e na Chapada do Araripe, no Ceará.
A floração varia conforme a região: de novembro a março em Santa Catarina, de novembro a maio na Bahia, de janeiro a março no Paraná, de fevereiro a março em São Paulo, em abril em Alagoas e de abril a maio em Minas Gerais. Os frutos amadurecem em março no Ceará, de março a junho em Santa Catarina, de março a julho em Minas Gerais, de abril a agosto no Paraná e de abril a outubro em São Paulo. Em plantio, a reprodução começa por volta dos 4 anos de idade.
A espécie é hermafrodita e tem como principais polinizadores as abelhas sem ferrão da subfamília Meliponinae, além de diversos insetos pequenos. A dispersão é anemocórica: as sâmaras são levadas pelo vento a distâncias consideráveis.
Plantio e silvicultura
O fruto é a unidade de dispersão e deve ser colhido quando passa do verde para uma coloração escura, podendo ser recolhido facilmente do chão. Convém cortar a asa para facilitar a semeadura e o armazenamento, e a imersão rápida dos frutos em etanol absoluto ajuda a verificar se contêm sementes. Há de 450 a 505 frutos por quilo sem asa e cerca de 620 com asa. Não é preciso tratamento para superar dormência, pois as sementes não a apresentam. Mantidos fora de câmaras de armazenamento, os frutos com sementes conservam a viabilidade por pouco tempo.
Recomenda-se semear os frutos sem asa, de preferência em sementeiras, ou colocar dois deles diretamente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro. Quando necessária, a repicagem deve ocorrer de 1 a 2 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com hipocótilo alongado, e inicia entre 12 e 60 dias após a semeadura, variando conforme a procedência. A frequência de sementes nos frutos é baixa, encontrando-se sementes em apenas 10% a 27% deles. As mudas atingem porte adequado para o plantio cerca de 6 meses após a semeadura. A espécie também se propaga por estacas caulinares e suas raízes formam associação simbiótica com Rhizobium, com nódulos globosos e atividade da nitrogenase, sendo recomendada a inoculação com solo coletado sob árvores adultas.
É uma espécie heliófila que tolera sombreamento na fase juvenil e suporta moderadamente baixas temperaturas. O hábito é variável, indo do crescimento monopodial, com galhos inseridos em pseudoverticilos, a formas tortuosas, bifurcadas e de ramificação pesada; a desrama natural é satisfatória, bastando podar os galhos das árvores bifurcadas. Pode ser plantada a pleno sol em pequenos plantios puros, em áreas livres de geadas; a pleno sol em plantio misto com pioneiras; em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas na vegetação secundária; e em linhas, onde as geadas não sejam muito severas. Rebrota da touça após o corte, permitindo manejo por talhadia. É indicada para arborização de culturas e de pastos no litoral do Paraná. Com o desmatamento intenso da Floresta Atlântica, sua principal área de ocorrência, a espécie sofre forte erosão genética e deve ser incluída com urgência na conservação ex situ, preservando-se também in situ a população disjunta do noroeste do Ceará, relicto da Floresta Atlântica de interior, e a registrada na Serra de Itabaiana, em Sergipe.
O crescimento é moderado, com produtividade volumétrica máxima registrada de 6,55 m³/ha/ano aos 10 anos. O material genético utilizado nos experimentos da Embrapa Florestas provém de três origens: Corupá e Florianópolis, em Santa Catarina, e Morretes, no Paraná.
A precipitação média anual vai de 1.000 mm, no Ceará, a 2.100 mm, na Bahia, com chuvas uniformemente distribuídas no litoral do Sul e Sudeste e no sul da Bahia, e concentradas no verão nas demais regiões. A deficiência hídrica é leve, de maio a setembro, no Sudeste, e moderada, por até 4 meses, no Ceará. A temperatura média anual fica entre 19,4 ºC (Viçosa, MG) e 24,8 ºC (Maceió, AL); a média do mês mais frio varia de 14,8 ºC (Viçosa, MG) a 23,5 ºC (Maceió, AL) e a do mês mais quente de 23,2 ºC (Belo Horizonte, MG) a 26,5 ºC (Rio de Janeiro, RJ), com mínima absoluta de -3,4 ºC (Indaial, SC). As geadas variam de 0 a 3 por ano em média, chegando ao máximo de dez na Região Sul, mas predominando ambientes sem geadas ou com geadas pouco frequentes. Os tipos climáticos de Köppen incluem o tropical (Af, Aw e Am), o subtropical úmido (Cfa) em Santa Catarina, o subtropical de altitude (Cwa e Cwb) e o temperado úmido (Cfb) na região de Campina Grande do Sul, no Paraná.
Na natureza, ocorre em planícies, várzeas aluviais e início de encostas, e, no noroeste do Ceará, em Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico (antigo Podzólico Vermelho-Amarelo). Em plantios, dá preferência a solos profundos, bem drenados, de textura franco-argilosa a argilosa e de alta fertilidade química.