Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF
Angico
Piptadenia paniculata
- 5 a 10 m, podendo chegar a 20 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: angico-paniculata, cobi, unha-de-gato
Botânica
Pela classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Fabales, dentro da família Mimosaceae (Leguminosae Mimosoideae). Foi descrita por Bentham em 1841. Entre os sinônimos botânicos registrados estão Piptadenia paniculata var. aculeata Burkart, Piptadenia paniculata var. paniculata e Pityrocarpa paniculata (Bentham) Brenan. O nome do gênero deriva do grego piptein (cair) e aden (em abundância), aludindo à queda das folhas; já o epíteto paniculata remete à inflorescência em forma de panícula.
Árvore perenifólia que costuma medir de 5 a 10 m de altura e ter de 15 a 25 cm de DAP, mas que pode alcançar 20 m e 50 cm de DAP quando adulta. O tronco em geral é tortuoso, apresenta acúleos esparsos e fuste curto de até 8 m. A ramificação é cimosa e irregular, formando copa alongada de folhagem verde-escura, com ramos que podem ou não ter espinhos. A casca chega a 15 mm de espessura: a externa é acinzentada, áspera e com fissuras suaves, enquanto a interna é amarelo-clara. As folhas são compostas, com 3 a 4 pares de pinas e raque que mede de 6 a 15 cm; os folíolos são relativamente grandes (1 a 2,5 cm de comprimento por 0,5 a 1 cm de largura), e há uma glândula séssil orbicular bem desenvolvida na base superior do pecíolo, além de outra menor nas extremidades. Cada pina reúne de 6 a 10 pares de folíolos. As flores são pequenas, sésseis, brancas ou bege e perfumadas, dispostas em espigas filiformes delgadas que se agrupam em panículas apicais ou subapicais de até 10 cm, ultrapassando a folhagem. O fruto é um legume achatado e comprimido, de margens retas, deiscência bivalve, coloração marrom e 10 a 20 cm de comprimento. As sementes são castanhas, achatadas, de formato elíptico-oval, sem asa, sem endosperma e com embrião de plúmula já diferenciada em pinas.
Uso e ecologia
A madeira, serrada ou roliça, é normalmente aproveitada em âmbito local na confecção de tabuado, em carpintaria e marcenaria, em obras externas, esteios, mourões, vigas e cabos de ferramentas. Trata-se de uma madeira moderadamente densa (massa específica aparente de 0,55 a 0,70 g/cm³ a 15% de umidade e massa específica básica de 0,47 g/cm³), com alburno e cerne não diferenciados, superfície lisa e levemente lustrosa, textura grossa, grã irregular e cheiro e gosto imperceptíveis. A espécie também é indicada para a produção de lenha, com poder calorífico de 5.016 kcal/kg na madeira e 5.093 kcal/kg na casca. Não é, porém, adequada para a fabricação de celulose e papel.
Classificada como secundária inicial, é abundante na floresta primária, onde ocupa o estrato intermediário, e comum na vegetação secundária, aparecendo nas fases de capoeira, capoeirão e floresta secundária, sobretudo nas encostas dos morros. É característica da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), nas formações Submontana e Montana; não ocorre na planície, mas surge na Floresta de Tabuleiro do norte do Espírito Santo.
No Paraná, a floração ocorre em janeiro. A frutificação varia conforme a região: no Paraná os frutos amadurecem entre maio e junho, e no Espírito Santo, entre setembro e outubro.
É uma planta hermafrodita, polinizada principalmente por abelhas. A dispersão dos frutos e sementes é autocórica, predominantemente barocórica (por gravidade), com participação também do vento (anemocórica).
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos assim que mudam de cor e, em seguida, abertos em local ventilado para a retirada das sementes. Cada quilo reúne de 12 mil a 17 mil sementes. Não há necessidade de tratar a dormência, pois as sementes não a apresentam. Por outro lado, têm comportamento recalcitrante no armazenamento e perdem rapidamente a viabilidade quando guardadas em ambiente não controlado.
Recomenda-se semear duas sementes por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. A repicagem pode ser feita de 2 a 4 semanas após o início da germinação. A germinação é epígea e começa entre 7 e 30 dias após a semeadura, com alto poder germinativo (média de 80%, podendo chegar a 100%). As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 6 meses após a semeadura. As raízes formam associação simbiótica com Rhizobium.
Espécie heliófila e sensível ao frio. Tende a apresentar fuste inclinado e múltiplos troncos e não faz desrama natural, sendo aconselhável a poda de condução e a poda de galhos. Cresce bem em plantio puro a pleno sol em solos férteis e também pode ser cultivada em plantio misto, associada a espécies pioneiras. Rebrota da touça após o corte.
Ainda é pouco utilizada em plantios, mas tem crescimento rápido, chegando a 26 m³/ha/ano. Estima-se rotação a partir de 10 anos para fins energéticos e a partir de 20 anos para serraria.
A precipitação anual média em sua área de ocorrência vai de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 2.000 mm, no Paraná, com chuvas bem distribuídas no litoral entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina e concentradas no verão nos demais estados. A deficiência hídrica é nula nesse trecho litorâneo e moderada no inverno no norte do Espírito Santo, onde a estação seca pode durar até 3 meses; a espécie também se adaptou bem a regime de chuvas uniforme no sudoeste paranaense. A temperatura média anual em ocorrência natural fica entre 18,5 ºC (Rio do Sul, SC) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ), tendo sido introduzida em local de 19 ºC. A média do mês mais frio varia de 14,1 ºC a 21,3 ºC e a do mês mais quente de 23,8 ºC a 26,5 ºC, com mínima absoluta de -5,5 ºC em Rio do Sul (SC). As geadas são ausentes ou raras. Os tipos climáticos predominantes (Köppen) são o tropical (Af e Am) e o subtropical úmido (Cfa), este mais raro em Tunas do Paraná (PR).
É considerada indicadora de solos de baixa fertilidade química, crescendo naturalmente em terrenos úmidos, de drenagem lenta e textura que vai de arenosa a franca. Quando introduzida em solo argiloso, de relevo plano a levemente ondulado e com algumas pedras soltas, teve crescimento satisfatório.