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Foto de Angico-branco

Foto: autor não identificado (CC BY-SA 3.0) via Wikimedia

Angico-branco

Anadenanthera colubrina var. colubrina

Mimosaceae Mata AtlânticaCerradoPantanal
  • 10 a 20 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: angico, angico-branco-liso, curupaí, curupaíba, angico-cambuí, angico-coco, angico-escuro, angico-liso, angico-vermelho, aperta-ruão, cambuí, cambuí-branco, cambuí-vermelho, cambuí-angico, cauvi, jurema-preta, monjoleiro

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo o Sistema de Classificação de Cronquist, o angico-branco pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotiledonae), ordem Fabales e família Mimosaceae (Leguminosae Mimosoideae). A espécie foi descrita como Anadenanthera colubrina (Vellozo) Brenan var. colubrina (Kew Bull. 10(2):182, 1955). Entre os sinônimos botânicos registrados estão Acacia colubrina Martius, Anadenanthera colubrina (Vellozo) Brenan, Mimosa colubrina Vellozo e Piptadenia colubrina (Vellozo) Bentham. Quanto à origem do nome, o gênero Anadenanthera remete a antera desprovida de glândula, enquanto o epíteto colubrina vem do latim coluber, em referência à cobra.

Descrição botânica

Árvore de comportamento perenifólio a semicaducifólio, atinge na fase adulta de 10 a 20 m de altura e 30 a 60 cm de DAP, podendo chegar a 35 m de altura e 1 m de DAP. O tronco costuma ser reto e aproximadamente cilíndrico, com fuste de até 12 m. A ramificação é cimosa, dicotômica, tortuosa e irregular, formando copa umbeliforme densamente ramificada e de esgalhamento grosso. A casca pode chegar a 20 mm de espessura: externamente é lisa, áspera e percorrida por finas fendas longitudinais, com coloração que varia do branco-acinzentado ao cinza-escuro; internamente apresenta tom levemente avermelhado. As folhas são compostas bipinadas e paripinadas, com raque de 15 a 20 cm e de 15 a 35 pares de pinas multifolioladas; os folíolos são lineares, assimétricos na base e obtusos, de margem ciliada, costa média centralizada e um tufo de pelos na inserção do pecíolo, que mede de 3 a 5 cm. Há glândulas foliares: uma cônica e séssil junto ao pulvínulo, na base do pecíolo, e de 1 a 4 glândulas verde-avermelhadas nos últimos pares de folíolos. As flores são pequenas, perfumadas, de coloração branca a amarelada, agrupadas em panículas de glomérulos terminais que alcançam até 40 cm. O fruto é um folículo coriáceo, estreito e marrom-escuro, com 11 a 30 cm de comprimento e 10 a 15 mm de largura, deiscente por uma fenda única, com margens constritas, leve estrangulamento entre as lojas, estipe de 10 a 20 mm e de 5 a 15 sementes. As sementes são escuras, brilhantes, orbiculares e achatadas, de ala estreita, sem pleurograma, medindo até 15 mm.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticomedicinalapícolapaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

Da madeira serrada e roliça se aproveitam tabuado, tacos, marcenaria, desdobro, obras internas, ripas, implementos, embalagens e construção civil e naval. Para energia, fornece lenha e carvão de boa qualidade, com lignina de 28% de cinzas, e por ser robusta uma única árvore pode render mais de 5 m³ de lenha. Não é adequada para celulose e papel, já que suas fibras medem apenas 0,66 mm. Quando o tronco é ferido, produz goma-resina em abundância, vista como substituta da goma-arábica. A casca é rica em tanino, sendo o angico-branco a espécie de maior teor entre os angicos, com até 32%. Na alimentação animal, as folhas murchas são tóxicas ao gado, mas tornam-se boa forragem quando fenadas ou secas. É também planta melífera, ofertando pólen e néctar com até 33% de açúcar e mel de qualidade superior. Na medicina popular, é empregada em infusões, macerações e tinturas como antidiarreico e expectorante, integrando fórmulas de xaropes; é muito usada contra afecções pulmonares e das vias respiratórias, bronquites, tosses, faringites e asma, auxiliando na expectoração. A casca, de sabor amargo, tem ação adstringente, depurativa e hemostática, além de uso em doenças sexuais e efeito sobre as fibras uterinas. Quanto à madeira, é densa (0,80 a 1,10 g/cm³ a 15% de umidade; massa específica básica de 0,52 g/cm³ aos 5 anos), com alburno e cerne castanhos de reflexos dourados e manchas largas quase pretas. Tem superfície lisa e lustrosa, textura média, grã irregular a reversa e gosto levemente adstringente. Embora resistente e de grande durabilidade quando exposta, é pouco aproveitada por secar muito lentamente, chegando a brotar durante a secagem, e racha com facilidade; em compensação, exibe belos efeitos decorativos com raios escuros.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie pioneira a secundária inicial, ou clímax exigente de luz, comum na vegetação secundária, onde por vezes forma capões puros; não é árvore longeva. Aparece com maior frequência na Floresta Estacional Semidecidual Montana e Submontana, e de forma menos comum na Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária), onde se concentra em matas ciliares e campos rupestres ou de altitude de Minas Gerais e da Bahia, além da Floresta Estacional Decidual Submontana no Baixo Paranaíba, do Pantanal Mato-Grossense e do Cerradão, onde é rara. No Peru, ocorre no Bosque Tropical Seco. Levantamentos fitossociológicos na Floresta Estacional Semidecidual Montana registraram desde 1 indivíduo por hectare em Itutinga (MG) até 207 a 223 indivíduos por hectare em Perdizes (MG).

Floração e frutificação

A floração acontece de setembro a outubro no Rio de Janeiro, de outubro a dezembro em São Paulo e de novembro a fevereiro no Paraná. Os frutos amadurecem de junho a novembro no Paraná e de julho a novembro em São Paulo, permanecendo na árvore até a floração seguinte. O início do processo reprodutivo ocorre por volta dos 5 anos de idade.

Fauna associada

Planta hermafrodita, é polinizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão de frutos e sementes é autocórica, predominantemente barocórica, ou seja, pela ação da gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos assim que começam a se abrir espontaneamente, no início da disseminação das sementes, e então mantidos em ambiente ventilado para completar a deiscência. Cada quilo reúne de 15.600 a 23 mil sementes, que não exigem tratamento para superação de dormência, pois não a apresentam. A viabilidade se mantém por até 12 meses em ambiente não controlado e em câmara seca, acondicionadas em sacos de papel ou de pano.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno; caso a repicagem seja preciso, deve ocorrer de 2 a 3 semanas após a germinação. A germinação é epígea e começa entre 3 e 30 dias da semeadura, com alto poder germinativo (até 100%, em média 70%); as mudas permanecem no viveiro por no mínimo 4 meses. A propagação também pode ser feita por brotações de cepa. As raízes associam-se com Rhizobium, tendo sido observada nodulação espontânea no viveiro da Embrapa Florestas com solo de bracatingais, e Mendonça e Schiavinato obtiveram nodulação em todos os tratamentos aos 60 dias de idade.

Características silviculturais

Espécie heliófila e medianamente tolerante a geadas na fase jovem. Seu hábito é irregular, com tendência a acamamento do caule e bifurcações desde a base, e desrama natural deficiente, o que demanda podas de condução e de galhos. O plantio puro a pleno sol é recomendado e apresenta bom desempenho, mas em Dois Vizinhos (PR) o plantio misto superou bastante o puro, sobretudo no DAP. Em plantio heterogêneo, usada como sombreadora de outras espécies, observaram-se árvores morrendo de gomose após atingir 40 cm de DAP, problema também verificado em plantios puros aos 15 anos. Rebrota após o corte e é indicada para arborização de pastos em sistemas agroflorestais.

Crescimento e produção

O crescimento é moderado a rápido, com produtividade anual de até 31,35 m³/ha/ano. Um fator que pode comprometer essa produtividade é a gomose, exsudação que ocorre pela casca, raízes, troncos ou galhos e cuja intensidade tende a crescer conforme a idade do povoamento.

Clima

A precipitação média anual varia de 700 mm, na Bahia, a 1.800 mm, no Paraná. As chuvas são uniformemente distribuídas no sul e centro do Paraná e no litoral do Rio de Janeiro, e periódicas, concentradas no verão, no norte do Paraná e nos demais estados. A deficiência hídrica vai de nula, no Paraná e no Rio de Janeiro, a moderada ou forte, no nordeste do Mato Grosso e na Bahia, com estação seca de até 5 meses. A temperatura média anual fica entre 16,2 ºC (Castro, PR) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT); a média do mês mais frio entre 12,4 ºC (Castro, PR) e 23,3 ºC (Barra, BA); a do mês mais quente entre 20,4 ºC (Castro, PR) e 27,2 ºC (Barra, BA, e Chapada dos Guimarães, MT); e a mínima absoluta chega a -8,4 ºC (Castro, PR). O número de geadas por ano é de 0 a 13 em média, com máximo absoluto de 35 na Região Sul. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos tropical (Af e Aw), subtropical úmido (Cfa), temperado úmido (Cfb) e subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

Na natureza, desenvolve-se em solos com boa disponibilidade hídrica, férteis, profundos, bem drenados e de textura areno-argilosa a argilosa, mas também ocorre em solos rasos e de baixa fertilidade química.