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Foto de Angelim-doce

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Angelim-doce

Andira fraxinifolia

Fabaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 18 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: angelim, angelim-branco, angelim-coco, angelim-mirim, angelim-preto, angelim-amargoso, angelim-pedra, angelim-rosa, angelim-roxo, angelim-de-caroço, angelim-da-folha-grande, cambuatá, morcegueira, pau-de-morcego, jacarandá, jacarandá-de-morcego, jacarandá-do-litoral, jacarandá-lombriga, angico-cambí, angico-vermelho, guarucaia, pau-angelim, barateiro, fruta-de-cavalo, mata-baratas, pinhão-do-mato, pau-mamona-do-mato, angelim-do-mato

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (Leguminosae, segundo o sistema de Cronquist) e à subfamília Faboideae (Papilionoideae), o angelim-doce foi descrito por Bentham e tem como nome científico Andira fraxinifolia Benth. A espécie reúne uma quantidade expressiva de sinônimos botânicos, entre eles Andira parvifolia, Andira micans e Andira pernambucensis. O nome do gênero deriva do tupi-guarani andira + yba, que se traduz como "árvore do morcego", numa referência à fauna que se alimenta de seus frutos. Já o termo angelim, presente em diversos nomes populares, tem origem na palavra anjili, da língua tâmil falada na Índia, onde designa outra árvore (Artocarpus hirsutus, parente da jaca); não se conhece ao certo como o nome chegou ao Brasil, mas ele já circulava por aqui pelo menos desde o século 18.

Descrição botânica

Pode apresentar porte que vai do arbustivo ao arbóreo, com folhagem sempre-verde (perenifólia) sujeita a renovação foliar. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 18 m de altura e 50 cm de DAP na fase adulta. O tronco varia de reto a um pouco tortuoso, com fuste em geral curto, de no máximo 5 m. A ramificação é dicotômica, com ramos jovens ferrugíneos e mais ou menos tomentosos, que logo se tornam quase glabros. A casca alcança até 10 mm de espessura, sendo a parte externa de cor cinza-amarronzada e marcada por fissuras verticais. As folhas, alternas ou subopostas, têm de 9 a 15 folíolos, com pecíolos de 3,5 a 5,5 cm e raque de até 22,5 cm; os folíolos são oblongos, ovado-oblongos ou lanceolados, de consistência cartácea, glabros e opacos na face superior. As flores reúnem-se em panículas laxas e multifloras, terminais ou axilares, de 4 a 30 cm de comprimento, com cálice de 4,5 a 5 mm e corola de 10 a 17 mm. O fruto é uma drupa ovado-oblonga de superfície áspera, medindo de 2,5 a 6 cm de comprimento por 2 a 3 cm de largura e pesando até cerca de 20 g quando seca; seu mesocarpo contém de 7,3% a 9,5% de proteínas, de 1,6% a 7,2% de gordura e de 2,2% a 3,3% de açúcar. A semente, oval, mede de 2 a 2,7 cm e pode apresentar poliembrionia, com mais de um broto germinando a partir de uma única semente.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaalimentício
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa a densa (cerca de 0,92 g/cm³), com cerne de tom bege-rosado-escuro a róseo-queimado, podendo chegar a castanho-avermelhado nas porções fibrosas. Sua superfície é lustrosa, levemente áspera ao tato e de aspecto fibroso, com textura grosseira, grã direita e sem cheiro ou gosto marcantes. É empregada na construção civil (esteios, caibros e molduras de portas e janelas) e em usos externos como postes, dormentes e mourões, além de render lenha de boa qualidade. Não serve, porém, para a produção de celulose e papel. As flores têm potencial apícola, oferecendo néctar e pólen; os frutos são comestíveis pelo gado. Na medicina popular, as sementes são usadas por conterem um princípio amargo de ação anti-helmíntica. Estudos químicos da espécie apontam a presença de flavonoides, da isoflavona pratenseína e da 3-O-L-rhamnopiranosil-cromona.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária, do estágio inicial ao tardio da sucessão. Aparece sobretudo em capoeiras e em outras fases da regeneração secundária, sendo menos comum no interior da floresta primária densa; na Ilha de Santa Catarina, ocorre de forma muito rara, tanto em matas quanto em capoeiras. No bioma Mata Atlântica, integra a Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana e montana, em Minas Gerais e São Paulo, com até quatro indivíduos por hectare) e a Floresta Ombrófila Densa (formações das terras baixas e submontana, na Bahia, no Paraná, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e em Sergipe). No Cerrado, surge no cerrado stricto sensu, no Paraná, e na savana arborizada do extremo norte do litoral paraibano, onde é rara. É frequente também em ambientes ripários ou de mata ciliar (Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Sergipe), com até 12 indivíduos por hectare, além de brejos de altitude nordestinos, caxetais, restingas e florestas de brejo.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de junho a agosto na Bahia, de setembro a novembro no Paraná, de novembro a dezembro em Minas Gerais e de dezembro a maio em São Paulo. Os frutos amadurecem de janeiro a março em Minas Gerais, de maio a julho no Paraná e de junho a julho em São Paulo.

Fauna associada

Espécie monoica, é polinizada por melitofilia, ou seja, por diversas espécies de abelhas. A dispersão de frutos e sementes é essencialmente zoocórica, realizada principalmente por pequenos morcegos frugívoros, que junto com formigas costumam beneficiar os frutos caídos no chão. Os frutos também servem de alimento a outros animais da fauna.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos podem ser colhidos diretamente das árvores, mas o mais comum é recolhê-los do chão, já que em sua maioria foram beneficiados por morcegos e formigas. Cada quilo reúne cerca de 70 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. O comportamento fisiológico da semente é recalcitrante, ou seja, ela perde a viabilidade rapidamente e não tolera armazenamento prolongado.

Produção de mudas

Recomenda-se semear 1 a 2 sementes em recipientes de pelo menos 20 cm de altura e 10 cm de diâmetro, sendo também viável a semeadura direta no campo. A germinação é cripto-hipógea, com hipocótilo indistinto ou curto, e a emergência começa entre 15 e 35 dias após a semeadura, com taxa de 60% a 90%; as mudas ficam prontas para plantio cerca de 9 meses depois. A espécie estabelece associação simbiótica com Rhyzobium, formando nódulos coraloides do tipo astragaloide com atividade da nitrogenase. Para a produção de mudas, sugere-se substrato de solo + esterco (2:1) ou solo + areia + esterco (1:2:1), em sacos de polietileno de 20 cm de altura por 15 cm de diâmetro, mantidos sob sombrite de 50% e depois transferidos para pleno sol.

Características silviculturais

O angelim-doce é heliófilo, mas tolera sombreamento de intensidade média quando jovem, além de suportar baixas temperaturas. Apresenta ramificação pesada e sem dominância apical, exigindo podas de condução e de ramos; rebrota da touça. Pode ser conduzido a pleno sol em plantio puro, em plantio misto com pioneiras e secundárias, ou em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas em capoeiras e plantado em linhas. O número cromossômico da espécie é 2n = 22.

Crescimento e produção

As informações sobre o cultivo do angelim-doce ainda são escassas, mas o que se sabe indica que seu crescimento é lento.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 750 mm, na Bahia e no Rio de Janeiro, a 3.380 mm, na Serra de Paranapiacaba (SP). As chuvas são uniformemente distribuídas do litoral catarinense ao litoral sul fluminense, podendo ser periódicas no restante da área. A temperatura média anual fica entre 18,1 ºC (Diamantina, MG / Nova Friburgo, RJ) e 26 ºC (Aracaju, SE), com mínima absoluta de -5 ºC registrada em Campina Grande do Sul (PR). As geadas são ausentes na maior parte da área, mas chegam a ser frequentes no inverno nessa região do Paraná. Segundo Köppen, abrange os tipos climáticos Af, Am, As, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Na natureza, ocorre em solos úmidos de planícies e de encostas suaves ou depressões.