voltar ao catálogo

Angelim

Andira surinamensis

Fabaceae AmazôniaMata AtlânticaCerradoCaatinga
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: angelim-manteiga, andirauchi, lombrigueira, morcegueira, uchirama, manga-brava, uchirana, acapurana

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (Leguminosae, na classificação de Cronquist) e à subfamília Faboideae (Papilionoideae), a espécie é integrante do gênero Andira. Seu binômio é Andira surinamensis (Bondt) Splitz ex Pulle, publicado pela primeira vez em 1906. Entre os sinônimos botânicos registrados estão Geoffrea surinamensis Bondt., Geofrrea retusa Poir., Andira retusa (Poir.) H.B.K. e Andira retusa H.B.K. var. oblonga Benth. O nome do gênero, Andira, deriva do tupi-guarani andira somado a yba, expressão que se traduz como 'árvore do morcego'; já o epíteto surinamensis faz referência ao Suriname, onde foi coletado o material-tipo. O nome popular angelim tem origem na palavra anjili, da língua tâmil falada na Índia, onde designa a espécie Artocarpus hirsutus, parente da jaca, cuja madeira é bastante empregada na construção de casas e embarcações no distrito de Kerala. No Brasil, esse nome já era usado pelo menos desde o século 18, ainda que se desconheça como foi incorporado por aqui.

Descrição botânica

É uma árvore perenifólia (sempre-verde) cujos exemplares de maior porte alcançam por volta de 20 m de altura e 50 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo) na fase adulta. O tronco é tortuoso e costuma apresentar fuste curto, com até 5 m de comprimento. A ramificação é dicotômica e, em árvores isoladas no campo, forma uma copa bastante frondosa; os ramos jovens são acastanhados e tomentosos, tornando-se glabrescentes com o tempo. A casca chega a 15 mm de espessura, com ritidoma (casca externa) pardacento e fendilhado. As folhas são longo-pecioladas e imparipinadas, reunindo de 9 a 11 folíolos quase sésseis, de formato ovado ou elíptico, com 6 a 12 cm de comprimento por 2,8 a 6 cm de largura; têm consistência cartácea, são glabros na face superior e pubérulos na inferior, com ápice obtuso retuso ou emarginado e base arredondada, brilhantes acima e opacos abaixo. As flores, de pétalas róseas a violáceas, surgem em panículas terminais eretas, laxas e tomentosas. O fruto é um legume drupáceo ovalado, com 2 a 4 cm de comprimento por 1 a 3 cm de largura, e a semente, de formato oval, mede de 2 a 2,7 cm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

Sua madeira é moderadamente densa (0,86 g/cm³), com cerne de cor vermelho-clara, textura grosseira e grã direita. Embora seja difícil de trabalhar por rachar com facilidade, resiste bem ao apodrecimento. De qualidade média a alta, é indicada para construção civil e naval, assoalhos, tacos, mesas de bilhar, bengalas, tanoaria e trabalhos de torno, além de obras externas como postes, estacas, mourões e dormentes. Também fornece lenha de boa qualidade, mas não se presta à produção de celulose e papel. Na medicina popular, a casca é empregada em chás ou cozimentos no tratamento de úlceras; vale lembrar que essa informação é apenas um registro de pesquisa e não constitui orientação terapêutica nem substitui o acompanhamento médico.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária inicial, mais comum em capoeiras e demais estádios da sucessão secundária do que no interior da floresta primária densa. No bioma Amazônia, aparece na Floresta Ombrófila Densa (de Terra Firme) no Amapá e em Floresta Ecotonal no norte de Mato Grosso. Na Mata Atlântica, ocorre na Floresta Estacional Semidecidual, formação Montana, em Minas Gerais, e na Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas no Ceará e no Rio Grande do Norte. No Cerrado, está presente no cerradão (savana florestada) do Piauí, com até duas árvores grandes por hectare. Ocupa ainda matas ciliares na Bahia, encraves vegetacionais do Nordeste, Floresta Estacional Decidual na formação Montana do centro-oeste cearense e vegetação savânica no Ceará.

Floração e frutificação

Espécie hermafrodita, floresce de maio a junho no Piauí, com floração que se manifesta apenas a intervalos de vários anos. A frutificação, com frutos maduros, ocorre de setembro a outubro no mesmo estado.

Fauna associada

A polinização é feita sobretudo por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão é essencialmente zoocórica, com destaque para a quiropterocoria: as drupas costumam ser espalhadas por pequenos morcegos frugívoros, que também se alimentam dos frutos, assim como outras espécies da fauna.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos podem ser colhidos diretamente das árvores ou apanhados no chão. Cada quilo reúne cerca de 95 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. O comportamento fisiológico é recalcitrante: as sementes perdem a viabilidade rapidamente e não toleram armazenamento prolongado.

Produção de mudas

Recomenda-se semear duas sementes por recipiente, com no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, sendo também possível a semeadura direta no campo. As plântulas são cripto-hipógeas, com hipocótilo curto; a emergência começa entre 15 e 35 dias após a semeadura, com taxa de germinação de 60% a 90%, e as mudas ficam aptas ao plantio cerca de 9 meses depois. As raízes estabelecem simbiose com Rhizobium, formando nódulos globosos com atividade de nitrogenase.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila que, quando jovem, suporta sombreamento de intensidade média, mas não tolera baixas temperaturas. Seu crescimento é irregular, com ramificação pesada e ausência de dominância apical, o que torna necessária a poda de condução e dos ramos. Pode ser cultivada a pleno sol em plantio puro, em áreas livres de geadas; em plantio misto associado a espécies pioneiras e secundárias; e em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas em capoeiras e plantada em linhas. Tem boa capacidade de brotação a partir da touça.

Crescimento e produção

Há poucos registros sobre seu desempenho em plantios, mas o crescimento é considerado lento.

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência vai de 600 mm, no Ceará, a 2.550 mm, no norte de Mato Grosso, com chuvas periódicas e deficiência hídrica moderada na Bahia e forte no Ceará. A temperatura média anual varia de 24 °C (Jacobina, BA) a 28 °C (Marcelândia, MT), com mínima absoluta registrada de 11,9 °C em Campos Sales, CE. Não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, enquadra-se nos tipos Am no Amapá, norte de Mato Grosso e Pará; As no Rio Grande do Norte; e Aw no Ceará, nordeste de Mato Grosso e Piauí.

Solos

Em geral, desenvolve-se em solos de fertilidade média e textura arenosa.