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Angá-ferro

Tachigali rugosa

Fabaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 16 mAltura
  • Médio portePorte
MadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: angá, cangalheiro, carvoeiro, ingá-bravo, ingá-uçu, ingazeira-brava

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (antiga Leguminosae) e à subfamília Caesalpinioideae, o angá-ferro tem como nome científico aceito Tachigali rugosa (Mart. ex Benth.) Zarucchi & Pipoly, combinação publicada na revista Rodriguésia em 2007. A espécie já foi descrita sob o nome Sclerolobium rugosum Mart. ex Benth., hoje considerado sinônimo. Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), está posicionada na ordem Fabales, dentro do clado das Eurosídeas I. O nome do gênero Tachigali vem do tupi-guarani, enquanto o epíteto rugosa faz referência ao aspecto enrugado dos folíolos.

Descrição botânica

Árvore de folhagem semidecídua, o angá-ferro alcança, nos exemplares adultos de maior porte, cerca de 16 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é aproximadamente cilíndrico, normalmente com fuste curto. A copa tem formato de guarda-chuva (umbeliforme), com ramos terminais angulares, sem espinhos e cobertos por uma pubescência ferrugínea, resultado de uma ramificação cimosa. A casca chega a 10 mm de espessura e tem superfície externa (ritidoma) rugosa. As folhas são paripinadas e dispostas em espiral, reunindo de 6 a 10 pares de folíolos; o pecíolo, canaliculado e com uma glândula em forma de disco junto ao pulvínulo, mede de 2 a 4 cm, e a raque, de 13,5 a 18 cm, traz glândulas semicirculares entre os pares de pinas. Os folíolos são opostos, elípticos, subcoriáceos e discolores, com ápice agudo e mucronulado, base obtusa, face superior glabra e face inferior coberta por pelos dourados. As inflorescências formam panículas racemosas axilares ou terminais, de raque com pubescência ferrugínea e 10 a 13 cm de comprimento. As flores são quase sésseis, amareladas e medem de 6 a 7 mm. Os frutos são criptossâmaras lenhosas e indeiscentes de 9 a 10,5 cm, lanceoladas, achatadas, glabras e lisas, com nervuras longitudinais; quando maduras tornam-se enegrecidas, quebram-se no sentido transversal e descamam, abrigando geralmente 1 semente (raramente 2). As sementes são muito duras, de contorno oblongo.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticopaisagismorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira do angá-ferro é moderadamente densa (0,69 g/cm³ a 15% de umidade), de textura média, dura, mecanicamente resistente e bastante durável. O alburno é bege-amarelo-claro e pouco distinto do cerne, que tem coloração amarelo-claro-oliváceo e aspecto irregular. Presta-se à madeira serrada e roliça em construção civil e em obras externas, como pontes, dormentes, mourões e estacas, mas é inadequada para a produção de celulose e papel. A espécie também tem grande importância na produção de lenha e carvão. Como planta melífera, oferece pólen e néctar às abelhas, e seu porte e floração a tornam atraente para o paisagismo e a arborização urbana.

Aspectos ecológicos

Em termos de sucessão, o angá-ferro comporta-se como espécie secundária inicial ou clímax exigente de luz. É comum na mata secundária, em descampados, clareiras e topos de morros. Na Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Semidecidual, nas formações submontana (até 2 indivíduos por hectare) e montana (até 31 indivíduos por hectare) de Minas Gerais, e na Floresta Ombrófila Densa, das terras baixas do oeste fluminense até as formações montana e alto-montana de Minas Gerais e do Espírito Santo. No Cerrado, ocorre na savana (cerrado stricto sensu) da Bahia. Habita ainda matas ciliares no Distrito Federal e em Minas Gerais, além de áreas de contato entre savana e floresta estacional na Bahia.

Floração e frutificação

Em Minas Gerais, floresce entre julho e agosto. Os frutos amadurecem de maio a junho.

Fauna associada

Espécie hermafrodita, é polinizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes é feita pelo vento (anemocoria).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos (vagens) devem ser colhidos diretamente da árvore quando assumem coloração amarelo-palha e começam a cair. Em seguida, são mantidos em local arejado para que as sementes sejam extraídas manualmente. Cada quilo reúne cerca de 4.000 sementes, que apresentam comportamento fisiológico ortodoxo, permitindo armazenamento. As sementes têm dormência tegumentar; para superá-la, recomenda-se remover uma pequena parte do tegumento na extremidade oposta ao eixo embrionário, escarificar em ácido sulfúrico concentrado por 10 minutos ou imergir as sementes nuas em água a 80 °C por 2 minutos.

Produção de mudas

Indica-se semear duas sementes por recipiente, em sacos de polietileno de 20 cm de altura por 10 cm de diâmetro ou em tubetes grandes de polipropileno (288 cm³). A repicagem, se necessária, é feita de 2 a 3 semanas após a germinação, quando as plântulas alcançam cerca de 4 cm. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa entre 28 e 50 dias após a semeadura. Sem o tratamento para quebra de dormência, a germinação fica irregular e pode se estender por até 6 meses; no geral, atinge no máximo 50%. Em campo, a espécie mostrou alta incidência de micorriza arbuscular.

Características silviculturais

Planta heliófila, o angá-ferro não suporta baixas temperaturas. Sob plantio denso, exibe dominância apical bem definida; em espaçamentos maiores (3 m x 3 m), precisa de desrama ou poda dos galhos. Recomenda-se plantá-lo a pleno sol, em plantios puros e densos, ou ainda em plantios mistos, servindo de tutoria para espécies secundárias tardias ou de clímax.

Crescimento e produção

Há poucos dados disponíveis sobre o desenvolvimento da espécie, mas seu crescimento é considerado moderado.

Clima

A precipitação anual média na área de ocorrência vai de 1.400 mm, em Minas Gerais, a 2.200 mm, no Rio de Janeiro, com chuvas periódicas. A deficiência hídrica é moderada no inverno do centro-norte e do sudeste mineiro, e de moderada a forte no oeste da Bahia e na depressão do sudoeste mato-grossense. A temperatura média anual oscila entre 16,7 °C (Bocaina de Minas, MG) e 24,2 °C (Silva Jardim, RJ); a mínima absoluta registrada foi de -3 °C, em Itatiaia, RJ. Geadas são ausentes na maior parte da distribuição, tornando-se raras no Maciço do Itatiaia. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af no Rio de Janeiro, Aw no Distrito Federal e em Minas Gerais, e Cfa, Cwa e Cwb em áreas mineiras de maior altitude.

Solos

O angá-ferro cresce em cerradões de solos arenosos, ácidos, de baixa fertilidade e boa drenagem. Adapta-se a solos que variam de arenosos a argilosos e tolera terrenos terraplenados (subsolo). O pH desses solos fica entre 3,9 e 5,6.