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Foto de Aguaí-da-serra

Foto: SergioAJV (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia

Aguaí-da-serra

Chrysophyllum gonocarpum

Sapotaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: bapeba, guatambu-de-leite, chumbinho, guapeva, guatambu, guatambu-de-sapo, gumbijava, orelha-de-mateiro, peroba-branca, mata-olho, aguaí-vermelho, aranhão, aguaí, caxeta, caxeta-amarela, coerana, gomixava, guacá, gumbixava

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

A espécie foi descrita como Chrysophyllum gonocarpum (Martius; Eichler) Engler, publicada em Bot. Jahrb. Syst. 12: 523, em 1890. Pertence à família Sapotaceae, ao gênero Chrysophyllum. Ao longo da literatura aparece sob diversos sinônimos, entre os mais comuns Chrysophyllum cearense, Sapota gonocarpa e Sideroxylon gonocarpum, sendo que a sinonímia completa é extensa. O nome do gênero une os termos gregos para prata e folha, em alusão à face prateada das folhas, enquanto o epíteto específico remete ao fruto angulado. Em tupi-guarani, a planta é chamada a-gua-hy, que pode ser traduzido como "planta-que-não-se-come".

Descrição botânica

Árvore que varia de perenifólia a semidecídua. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 25 m de altura e 70 cm de diâmetro à altura do peito na fase adulta. O tronco é levemente acanalado, ora reto ora um pouco tortuoso, com pequenas sapopemas na base e fuste de até 7 m. A ramificação é dicotômica, formando copa densa, alargada e de tonalidade verde-escura, com numerosos ramos roliços, ásperos e acinzentados que se abrem em ângulo amplo. A casca atinge até 10 mm de espessura; externamente é áspera, de cor cinza-escura a marrom-escura, com finas fissuras longitudinais e escamas pequenas que se soltam ao toque, enquanto a casca interna é esbranquiçada e libera abundante látex branco de sabor amargo. As folhas, alternas, simples e dispostas em espiral, medem de 5,8 a 20,2 cm de comprimento por 1,3 a 7 cm de largura, geralmente oblongo-lanceoladas, de base atenuada, verde-escuras na face superior e mais claras na inferior, com 11 a 22 pares de nervuras secundárias e pecíolo de 0,6 a 1,7 cm. As inflorescências surgem em fascículos axilares reunindo de 1 a 6 flores em glomérulos, junto às axilas foliares ou em nós recém-desfolhados. As flores são esverdeadas a amarelo-esverdeadas, com corola muito pequena, de 2,5 a 5 mm. O fruto é uma baga angulosa, de formato elipsoide a globoso e cor amarela na maturação, com cerca de 1,3 a 3 cm de diâmetro e de 1 a 5 sementes. As sementes são castanhas, em forma de meia-lua, comprimidas lateralmente, com 1,2 a 1,4 cm de comprimento, hilo escavado bem visível e envoltas por endosperma abundante.

Uso e ecologia
madeireiroalimentíciopaisagismorecuperação de áreasmedicinal
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, com massa específica entre 0,69 e 0,75 g/cm³, textura fina e cerne e alburno praticamente indistintos, de cor amarelada ou creme. É de fácil rachadura, bastante suscetível ao ataque de insetos e pouco resistente à umidade. Serrada ou em forma roliça, presta-se a obras internas, carpintaria, cabos de ferramentas e móveis pequenos. No Paraguai é empregada como lenha, e a espécie também é considerada apta para a produção de celulose e papel. No lenho há registro de cumarina entre seus constituintes. Os frutos, doces e comestíveis, são usados em sorvetes caseiros e doces comercializados em mercados populares da Argentina e do Paraguai. No período das missões jesuíticas, os missionários paraguaios recorriam à planta para fins medicinais.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie secundária inicial, secundária tardia ou clímax tolerante à sombra. É típica de florestas primárias mais bem desenvolvidas e ocorre de modo irregular. Aparece na Floresta Estacional Decidual, nas formações de Terras Baixas, Submontana e Montana do Rio Grande do Sul, com até três indivíduos por hectare; na Floresta Estacional Semidecidual, nas formações Aluvial, Submontana e Montana de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com 1 a 61 adultos por hectare e até 800 plantas jovens; na Floresta Ombrófila Densa Submontana do Rio de Janeiro e de São Paulo; e em restingas de Santa Catarina. No Cerrado surge ocasionalmente em cerradão de São Paulo. Também habita ambientes ripários de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com 29 a 61 indivíduos por hectare, e a Selva Misionera argentina, com 3 a 12 exemplares por hectare.

Floração e frutificação

A floração vai de setembro a dezembro no Paraná e de outubro a dezembro em São Paulo. Os frutos amadurecem de agosto a novembro no Paraná e em janeiro em São Paulo.

Fauna associada

Espécie dióica, cuja polinização depende essencialmente de diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes é zoocórica, realizada por animais específicos, como algumas aves.

Plantio e silvicultura
Sementes

A colheita começa quando os frutos iniciam a queda espontânea, podendo ser apanhados na própria árvore ou recolhidos do solo. Em seguida são amontoados por alguns dias, até a polpa começar a se decompor, e as sementes são extraídas abrindo-se os frutos à mão sobre uma peneira, em água corrente. Cada quilo reúne de 2.500 a 4.070 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. A viabilidade germinativa se mantém por mais de 6 meses e tende a se perder cerca de um ano após a colheita.

Produção de mudas

Indica-se semear uma semente por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno médio. Quando preciso, a repicagem é feita de 1 a 2 semanas após a germinação. A germinação é epígea, do tipo fanerocotiledonar, com emergência entre 10 e 75 dias após a semeadura e taxa em torno de 68%. As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio a partir de 8 meses após a semeadura.

Características silviculturais

Espécie esciófila, sensível a baixas temperaturas. Apresenta ramificação pesada e não realiza desrama natural, o que torna recomendável a poda de condução. Para o estabelecimento, sugere-se plantio misto a pleno sol; também se regenera por brotação do toco.

Crescimento e produção

Há poucos registros sobre o desempenho em crescimento em plantios.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.100 mm, em São Paulo, a 2.000 mm, em Santa Catarina. As chuvas são uniformemente distribuídas na Região Sul (exceto norte e noroeste do Paraná), uniformes ou periódicas na faixa costeira da Bahia e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica vai de nula no Sul a forte no inverno do oeste de Minas Gerais e centro de Mato Grosso. A temperatura média anual fica entre 17,5 ºC (Pelotas, RS) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT), com mínima absoluta de -5 ºC. As geadas variam de 0 a 12 por ano, com máximo de 28 no Paraná, predominando ocorrência rara. Quanto a Köppen, abrange os tipos Af, Am, Aw, Cfa, Cwa e Cwb, conforme a região.

Solos

Cresce naturalmente sobre vários tipos de solo, com preferência por fundos de vale, início de encostas e terrenos planos, onde há maior teor de umidade.