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Foto de Açoita-cavalo

Foto: Jens-Christian Svenning (CC BY 4.0) via inaturalist

Açoita-cavalo

Luehea candicans

Tiliaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 16 mAltura
  • Médio portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: mutamba-preta

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

A espécie foi descrita como Luehea candicans por Martius e Zuccarini, com publicação em Nov. Gen. Sp. Pl. I:102, de 1824. Pertence à família Tiliaceae, ordem Malvales, dentro das angiospermas dicotiledôneas, segundo o sistema de Cronquist. Ao longo do tempo recebeu vários sinônimos botânicos, entre eles Luehea microphylla, Luehea uniflora e Luehea villosa. O nome do gênero homenageia o botânico austríaco Karl Von der Lühe (a grafia original Lühea foi adaptada para Luehea conforme as regras de nomenclatura), enquanto o epíteto candicans faz referência ao tom esbranquiçado da parte de baixo das folhas. Já a designação popular açoita-cavalo nasceu do costume de usar seus galhos flexíveis como chicotes para os animais.

Descrição botânica

Pode se apresentar como arbusto ou como árvore semidecídua. Os exemplares mais desenvolvidos alcançam cerca de 16 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito quando adultos. O tronco é tortuoso, com fuste de até 5 m de comprimento e casca de no máximo 5 mm de espessura, cuja superfície externa é áspera, acinzentada e marcada por sulcos finos. A ramificação é cimosa ou dicotômica, com ramos frouxos e córtex escuro, glabros e cobertos de lenticelas na fase adulta, mas revestidos de pelos estrelados cor de canela nas pontas dos ramos jovens. As folhas são simples, de textura membranácea (às vezes subcartácea), medindo de 4,5 a 13,5 cm de comprimento por 2 a 8 cm de largura, com formato obovado, elíptico ou ovado, ápice agudo, base subcordada e margem duas vezes denteada, tornando-se serreada perto do ápice; a face superior é praticamente lisa a olho nu (com pelos minúsculos visíveis na lupa) e a face inferior é esbranquiçada e tomentosa. As inflorescências surgem nas pontas dos ramos, em geral com uma única flor (eventualmente duas ou três). As flores são grandes, brancas e com numerosos estames bem compridos; as pétalas, linear-lanceoladas, medem de 3,5 a 5,5 cm. O fruto é uma cápsula lenhosa marrom-escura, com paredes espessas e cinco sulcos profundos, de 2,5 a 4,5 cm de comprimento, que se abre até cerca de três quartos da base. As sementes são aladas e têm aproximadamente 1,3 cm de comprimento, incluindo a asa membranácea.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasenergéticoapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, de textura média e grã direita, com alburno e cerne sem distinção nítida; oferece, porém, baixa resistência ao ataque de organismos xilófagos. É usada em cadeiras, móveis simples, estruturas de móveis, cangas de boi, tamancos, saltos de calçados, caixotaria, contraplacados, ripas, caibros e construção civil, além de servir como lenha e carvão de qualidade razoável. Não é apropriada para a produção de celulose e papel. A casca contém cerca de 5,9% de taninos condensados. No paisagismo, a árvore é apreciada pela copa uniforme e pela floração delicada, sendo recomendada para uso ornamental em geral. Também pode ser empregada na restauração de áreas degradadas, inclusive em áreas de preservação permanente.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária inicial, considerada rara e de distribuição descontínua, que aparece com mais frequência em ambientes abertos e em vegetação secundária. Na Mata Atlântica, está presente na Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana e montana) de Minas Gerais e São Paulo, com 1 a 3 indivíduos por hectare, e na Floresta Ombrófila Densa do Rio de Janeiro. No Cerrado, ocorre no cerrado lato sensu (Bahia, Goiás e Minas Gerais) e no cerradão (Goiás, Paraná e São Paulo). Aparece ainda em ambientes ripários de Mato Grosso e Minas Gerais, no carrasco do Ceará e em furados de Minas Gerais.

Floração e frutificação

A floração vai de outubro a novembro em São Paulo, de novembro a dezembro em Minas Gerais e de novembro a janeiro no Paraná. Os frutos amadurecem de abril a dezembro em São Paulo, de maio a junho em Minas Gerais e de junho a agosto no Paraná. Em plantios, a reprodução começa por volta dos 6 anos de idade.

Fauna associada

É uma espécie monóica, polinizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando passam de verde para marrom-escuro, antes da abertura ou logo no início dela. Depois de coletados, são espalhados sobre lonas ou bandejas e secos à sombra; em seguida, a exposição gradual ao sol completa a abertura, e agitar os frutos ajuda a liberar todas as sementes. Cada quilo reúne cerca de 172 mil sementes, que não exigem tratamento antes da germinação. As sementes são recalcitrantes quanto ao armazenamento e têm viabilidade bastante variável, em geral superior a 90 dias.

Produção de mudas

A semeadura é feita em sementeiras e, quando as plântulas alcançam de 3 a 5 cm de altura, são repicadas para recipientes individuais, como sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou tubetes grandes de polipropileno. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa de 20 a 40 dias após a semeadura, com taxa em geral moderada. As mudas ficam prontas para o plantio a partir de 6 meses. É uma espécie muito dependente da associação com fungos micorrízicos arbusculares.

Características silviculturais

Heliófila e tolerante ao frio, apresenta caule que tende a acamar, ramificação pesada, formação de multitroncos e tendência a formar touceiras. Como não faz desrama natural, precisa de podas de condução para formar um único tronco, seguidas de podas sucessivas para remover os galhos grossos. O plantio puro a pleno sol deve ser evitado, pois provoca esgalhamento precoce; recomenda-se o plantio misto junto a espécies pioneiras. A espécie rebrota com vigor a partir do toco. Em Minas Gerais, é indicada para sombreamento de pastagens, oferecendo sombra média de 3 a 4 m de diâmetro com sua copa irregular.

Crescimento e produção

O desenvolvimento em campo é lento. Aos 8 anos, pode atingir incremento médio anual em volume de 5,95 m³ por hectare ao ano.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 740 mm, em Minas Gerais, a 2.000 mm, no Paraná, com chuvas bem distribuídas no Paraná e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica varia de nula (Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, e centro-oeste do Paraná) a forte (norte de Minas Gerais). A temperatura média anual fica entre 18,1 ºC (Diamantina, MG) e 26,6 ºC (Fortaleza, CE), com mínima absoluta registrada de -7,1 ºC em Campo Mourão (PR). As geadas são pouco frequentes, com média de 0 a 3 por ano e máximo absoluto de 8 no centro-oeste do Paraná. Segundo a classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw, BSw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

Prefere terrenos arenosos e bem drenados. Em plantios, porém, tem se desenvolvido melhor em solos de alta fertilidade química e textura franco-argilosa.